“Aquela praga”. O ataque e o contexto, Lula sobre Bolsonaro.
Em 6 de outubro de 2025, durante evento em Imperatriz (MA) para entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse: “Por Deus do céu, não sei o que aquela praga que governou o país veio fazer antes de mim.” (Brasil 247)
Ele referia-se ao governo anterior, comandado por Jair Bolsonaro, criticando seus retrocessos segundo a visão do atual mandatário. A expressão mostra não só o tom duro do discurso político, mas também a tentativa de contraste: de um lado, acusações de negligência, retrocesso; do outro, promessa de retomada de políticas sociais. (Folha do Estado)
O perfil “defender o pobre” vs. ações tributárias
Uma das promessas centrais de Lula (e do PT) ao longo da carreira política é a defesa dos mais pobres, a ampliação de programas sociais, redução de desigualdades, etc. No discurso, isso inclui críticas às altas taxas tributárias sobre faixas de renda baixa ou média, assim como o argumento de que quem tem menos deveria pagar menos impostos ou ser protegido pelas políticas públicas.

Por outro lado, para manter as finanças do governo equilibradas, para sustentar programas sociais, para investimento em infraestrutura, ou para cobrir déficits orçamentários, toda administração precisa arrecadar — e isso quase sempre envolve impostos ou contribuições.
O que temos observado: várias medidas adotadas pelo governo Lula implicam elevação ou criação de tributos, algumas afetando diretamente setores de consumo, importações ou operações financeiras.
Quantos aumentos e criações de impostos já foram feitos — números apontados
Há divergências nas contagens, dependendo do critério (se consideram medidas que tramitaram mas não foram aprovadas; se medidas provisórias ainda sujeitas a mudanças; se todas afetam diretamente o cidadão comum ou alguns setores específicos). Eis o que se levantou:
- Segundo levantamento publicado, 24 medidas de criação ou aumento de tributos foram anunciadas desde o início do mandato de Lula, em janeiro de 2023. (GP1)
- A média dessas medidas é de uma nova medida tributária a cada 37 dias. (GP1)
- As medidas incluem, entre outras: reoneração de combustíveis (retorno de PIS/Cofins/CIDE sobre gasolina, etanol, diesel e biodiesel); taxações sobre comércio eletrônico; imposto sobre apostas (“bets”); elevação de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras); elevação de impostos de importação para painéis solares, veículos elétricos, etc. (pordentrodorn.com.br)
- Em outra manchete, afirmava-se que o governo somava 37 medidas de aumento de impostos até certo ponto, incluindo propostas. (Noticias R7)
Veracidade da afirmação “governo que prometia ‘defender o pobre’ fez 37 aumentos de impostos”
- A promessa de “defender o pobre” é histórica no discurso do PT/Lula, e há mérito nessa expectativa que parte do povo: política socioeconômica com foco em redistribuição, proteção social, etc.
- Quanto aos 37 aumentos: esse número aparece em algumas reportagens, mas normalmente inclui propostas ou medidas anunciadas, nem todas já implementadas ou todas com impacto direto sobre consumo popular. Ou seja: pode ser uma contagem parcial / cumulativa / projetada, não necessariamente todas efetivas ou cobradas. (Noticias R7)
- Também há declarações do governo negando que a carga tributária esteja sendo aumentada para a grande maioria da população, ou que novos impostos incidam de forma significativa sobre os mais pobres. Por exemplo, Lula e Haddad afirmam que algumas medidas têm foco em quem mais tem ou em setores específicos, não em tributar consumo básico ou salários baixos. (economia.uol.com.br)
Impactos e críticas
- Carga tributária histórica: O Brasil já tem uma das cargas tributárias mais altas da América Latina. Aumentos novos, mesmo que proporcionalmente pequenos, repercutem mal no bolso popular, principalmente quando há inflação, alta dos combustíveis, ou impacto de preços corrigidos por tributos.
- Regressividade vs. progressividade: Um dos problemas apontados é que muitos impostos no Brasil recaem mais fortemente sobre consumo ou bens de uso diário — isso pesa mais sobre quem ganha menos. Se subirem impostos em consumo (combustíveis, eletricidade, importados, etc.), mesmo quem ganha pouco sente bastante.
- Percepção política: Quando governo promete “defender o pobre” e, ao mesmo tempo, anuncia novas taxações, cria espaço para oposição argumentar que as ações contradizem as promessas. O discurso simbólico de chamar Bolsonaro de “praga” reforça esse contraste.
- Necessidade fiscal: Também há quem defenda que muitos desses aumentos são necessários para garantir equilíbrio fiscal, manter programas sociais, cumprir metas de arrecadação, amortecer déficits, ou reagir a situações excepcionais.
Conclusão e desafios
A afirmação de Lula de que o governo anterior foi “praga” é parte de um duelo político forte — retórica contra retórica, disputa pela narrativa.
Quanto à acusação de que o governo atual “fez 37 aumentos de impostos”, há base para afirmar que várias medidas de tributos foram anunciadas ou implementadas (24 ao menos, com impacto crescente), mas nem todas equivalem estritamente a aumentos diretos para todos os cidadãos, e há controvérsias sobre quais já estão vigorando, quais têm efeito real, quais foram revistas ou contestadas.
O grande desafio para o governo será conservar a promessa social de proteger os pobres, além de garantir transparência: mostrar quem de fato paga, quanto os impostos impactam no custo de vida, e como equilibrar a conta sem penalizar quem menos pode pagar.