Com mudanças de hábito do público e desgaste criativo, as novelas da TV Globo enfrentam um dos momentos mais delicados de sua história
Por Redação | FocusTV Entretenimento
📉 Audiência em queda livre
As novelas da TV Globo, durante décadas símbolo da cultura popular brasileira e campeãs de audiência, vivem uma fase inédita de instabilidade. Se antes produções como Vale Tudo, O Rei do Gado ou Avenida Brasil ultrapassavam os 40 pontos no Ibope, hoje até novelas do horário nobre têm dificuldades para manter médias acima dos 20 pontos — um número preocupante para os padrões da emissora.
A ascensão de plataformas de streaming como Globoplay, Netflix e Prime Video modificou o comportamento do público, que passou a escolher o quê, quando e como assistir. Mas o problema vai além da concorrência digital: críticos e telespectadores também apontam o desgaste criativo das tramas como um dos principais motivos da queda.
📝 Demissões e mudanças internas

Nos bastidores, o clima também não é dos melhores. A Globo abandonou o modelo de contrato fixo com autores renomados e passou a operar com contratos por obra, trazendo roteiristas de fora da casa — especialmente nomes ligados ao streaming. A promessa era oxigenar o formato tradicional, mas o público fiel nem sempre aprovou as mudanças.
Grandes nomes como Aguinaldo Silva, Silvio de Abreu e outros veteranos foram desligados nos últimos anos, acentuando a percepção de instabilidade interna. Fontes internas relatam que a pressão por repercussão nas redes e retorno comercial tem levado a reescritas de roteiro em cima da hora, cortes de núcleos inteiros e decisões estratégicas tomadas às pressas.
💬 Críticas do público e especialistas
A crise também está nas redes sociais. Comentários frequentes em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram e fóruns de TV reclamam de tramas rasas, diálogos fracos e personagens estereotipados. Muitos internautas apontam a repetição de fórmulas ultrapassadas — como a vilã exagerada, a mocinha sofredora e o núcleo cômico forçado — como parte do problema.
De acordo com o pesquisador de dramaturgia João Paulo Rezende, da Universidade Federal Fluminense, “a novela brasileira parou de dialogar com a realidade contemporânea. Enquanto o público se atualizou, muitas produções seguem presos a modelos do passado”.
🔄 Aposta na reinvenção
Reconhecendo o cenário adverso, a Globo já iniciou um processo de reformulação. As novelas atuais buscam explorar temas mais curtos, narrativas ágeis e polêmicas sociais. Além disso, a emissora aposta em remakes de clássicos com roupagem moderna — como Renascer, Elas por Elas e outros que estão em pré-produção.
Internamente, a ordem é clara: inovar sem perder a essência do folhetim. Novos projetos estão sendo testados no Globoplay antes de irem ao ar na TV aberta, numa estratégia para entender melhor os gostos do público e reduzir riscos.
📺 O futuro da teledramaturgia
A “era de ouro” das novelas pode não estar completamente encerrada, mas é evidente que um ciclo se fechou. O desafio agora é reconquistar uma audiência mais exigente e multiplataforma, sem abrir mão da identidade que fez das novelas da Globo um patrimônio da televisão brasileira.
Enquanto isso, o público observa com atenção — e cobra mudanças. Afinal, a próxima grande novela pode estar mais próxima de um acerto digital do que de uma fórmula do passado.