PF encontra documentos e mensagens que citam Alexandre de Moraes no escândalo do Banco Master
Uma nova etapa das investigações da Polícia Federal sobre o colapso do Banco Master revelou documentos e mensagens que ampliam o alcance do escândalo financeiro que já é considerado um dos maiores da história recente do sistema bancário brasileiro.
Os dados foram obtidos durante a análise forense do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição investigada por suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro.
O que a Polícia Federal encontrou

Segundo informações da investigação, peritos da Polícia Federal identificaram trocas de mensagens e registros de contato envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
As mensagens teriam sido enviadas no dia da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, quando o banqueiro perguntou se o ministro teria conseguido “bloquear” determinada ação relacionada à investigação.
De acordo com relatos citados em reportagens, o ministro teria respondido por meio de mensagens configuradas para desaparecer após a leitura. Moraes, no entanto, nega ter recebido ou mantido qualquer comunicação irregular, classificando as acusações como infundadas.
O escândalo do Banco Master
O caso começou a ganhar dimensão nacional após a descoberta de fraudes bilionárias no Banco Master, que acabaram levando à liquidação da instituição pelo Banco Central.
A investigação da Polícia Federal aponta para a existência de uma organização criminosa estruturada em vários núcleos, incluindo:
- fraude financeira no sistema bancário
- corrupção de agentes públicos
- lavagem de dinheiro
- ocultação de patrimônio
- intimidação de jornalistas e autoridades
O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 12 bilhões, afetando milhares de investidores e clientes.
Em março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso por ordem do Supremo Tribunal Federal no âmbito da operação que apura o caso.
Relações com autoridades e políticos
A investigação também revelou contatos frequentes entre o banqueiro e diversas figuras do cenário político e institucional brasileiro, o que ampliou a repercussão do escândalo.
Entre os pontos que chamaram atenção dos investigadores estão:
- registros de conversas com autoridades
- planilhas que indicariam participação em eventos patrocinados pelo banco
- contratos milionários envolvendo escritórios de advocacia ligados a figuras públicas
Analistas apontam que essas conexões podem indicar tentativas de influência ou acesso privilegiado a informações institucionais, embora muitos dos fatos ainda estejam sob apuração.
Posição da Polícia Federal
Apesar da repercussão, investigadores afirmaram que até o momento não há elementos suficientes para abrir investigação formal contra Alexandre de Moraes apenas com base nas mensagens encontradas.
A PF destaca que a presença de um nome em contatos ou conversas não significa automaticamente participação em irregularidades, sendo necessário aprofundar a análise das circunstâncias de cada interação.
Impacto institucional
O caso Banco Master tem provocado forte impacto nas instituições brasileiras.
Autoridades discutem a possibilidade de CPIs e novas investigações parlamentares, enquanto órgãos de controle analisam possíveis falhas na supervisão do sistema financeiro.
Especialistas afirmam que o escândalo pode levar a mudanças estruturais na regulação bancária e na relação entre instituições financeiras e agentes públicos, diante da dimensão do caso.
Investigação continua
A Polícia Federal segue analisando dados extraídos de celulares, computadores e documentos financeiros apreendidos durante as operações.
Novas fases da investigação não estão descartadas, e o caso continua sendo acompanhado de perto por autoridades judiciais, parlamentares e órgãos de controle.
Enquanto isso, o escândalo do Banco Master permanece no centro do debate político e jurídico no Brasil, com potencial para revelar novas conexões e aprofundar a crise institucional envolvendo o sistema financeiro e parte da elite política do país.