Julgamento de Bolsonaro no STF: erros apontados, papel de Alexandre de Moraes e possibilidade real de anulação da condenação
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025, recebendo pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Reuters+1 Esse veredicto provocou reações imediatas de autoridades nacionais e internacionais, bem como questionamentos jurídicos, especialmente sobre a condução do processo pelo ministro relator Alexandre de Moraes. Nesta matéria, vamos analisar os erros apontados, o papel do STJ/STF, e as chances de a condenação ser anulada ou revertida.
O que foi decidido
A condenação ocorreu por cinco crimes atribuídos a Bolsonaro: tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Reuters
O relator foi o ministro Alexandre de Moraes, que apresentou as acusações da Procuradoria-Geral da República e justificou a denúncia com base nos eventos ocorridos após as eleições de 2022. O Globo+2Reuters+2
O ministro Luiz Fux foi o único a votar pela absolvição de Bolsonaro, alegando falhas procedimentais, excessiva dispersão de provas e questionamentos sobre a competência do colegiado da Primeira Turma para tal julgamento. Reuters+2AP News+2

Erros e críticas apontadas
- Competência da Turma vs. Plenário
Defesas argumentaram que o caso, dada sua gravidade e implicações institucionais, deveria ter sido julgado pelo plenário do STF (com os 11 ministros), não apenas pela Primeira Turma (cinco ministros). O uso da Turma foi justificado por regimento interno, que prevê competência para Turmas em ações penais. O Globo+1 - Parcialidade do relator
Há alegações de que Alexandre de Moraes já tinha envolvimento institucional e político com temas e processos correlatos à acusação, o que, para a defesa, comprometeria a imparcialidade. Um pedido de impedimento foi rejeitado no STF em decisão que considerou que o crime de tentativa de golpe de Estado atinge toda a coletividade, não uma parte individualizada. Notícias STF+1 - Volume e organização das provas
A defesa reclamou que foram entregues muitos documentos (“document dump”), de forma desordenada, sem tempo hábil para análise adequada. Esse tipo de argumentação costuma ser usado para questionar o direito ao contraditório. O Globo - Suspensão de pedidos ou medidas processuais negadas
O ex-presidente requereu, por exemplo, suspensão do processo citando falta de acesso às provas e participação em audiências, o que foi negado por Moraes sob a justificativa de que os materiais haviam sido disponibilizados. O Globo+1 - Prisão domiciliar e medidas cautelares
Há debate sobre se o período em prisão domiciliar ou com tornozeleira eletrônica será abatido da pena caso haja condenação. Especialistas apontam que isso depende de se tais medidas foram aplicadas no mesmo processo que gerou a condenação. No caso Bolsonaro, as medidas cautelares (como prisão domiciliar) estão ligadas a processos distintos, o que pode impedir o abatimento. Estado de Minas
Possibilidade de cancelamento ou reversão
Com base nos pontos acima, a defesa tem algumas linhas jurídicas possíveis:
- Arguição de nulidade: se for comprovado que houve cerceamento de defesa, por falta de acesso às provas ou tempo insuficiente para análise, ou ainda que o formato da acusação fatiada prejudicou o direito de defesa.
- Alegação de incompetência ou foro: se se entender que o STF, ou especificamente a Turma, não era competente para julgar todos os réus no formato apresentado.
- Precedente de voto divergente forte: o voto de Luiz Fux contra a condenação pode servir de base para recursos futuros, especialmente para o STJ ou mesmo o próprio STF em plenário.
- Recurso internacional ou de direitos humanos: denúncias de abuso de autoridade ou violação de direitos processuais podem ganhar força em instâncias como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, caso se alegue que o julgamento desrespeitou princípios constitucionais básicos.
Conclusão
A condenação de Bolsonaro pelo STF marcou um capítulo histórico do Judiciário brasileiro, mas não significa que o caso está encerrado. Há falhas processuais reconhecidas pela defesa e potenciais brechas jurídicas que podem levar à anulação ou modificação da sentença.
O papel de Alexandre de Moraes, como relator, é central e alvo de críticas — tanto sobre a forma de apresentação do processo quanto sua condução. No entanto, até o momento não há decisão oficial de anulação, apenas possibilidades levantadas nos recursos e debates jurídicos.