Comerciante carioca afirmou ter conhecimento de um plano para criar uma falsa acusação de estupro contra o deputado Alfredo Gaspar. Relato menciona pagamentos de pelo menos R$ 16,5 mil e cita pessoas ligadas ao ambiente político de Lindbergh Farias, que nega todas as acusações.

Uma nova reviravolta envolvendo a campanha presidencial de 2026 colocou novamente o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) no centro do debate político. Um depoimento prestado à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados por um comerciante carioca aponta para uma suposta tentativa de fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra Gaspar, anunciado em 5 de agosto como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.
O depoimento foi colhido em 23 de abril de 2026 e posteriormente encaminhado pela Câmara ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (10) pelo Metrópoles.
É importante destacar desde o início: o relato do comerciante é uma alegação que ainda precisa ser investigada e comprovada pelas autoridades. Não há, até o momento, decisão judicial que confirme a existência da suposta armação. Da mesma forma, Lindbergh Farias nega categoricamente ter participado de qualquer reunião ou esquema.
🔎 Quem é o comerciante que prestou o depoimento?
O homem identificado no documento como Luis Antonio Lopes, de 62 anos, é proprietário de um quiosque localizado no Shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segundo o relatório da Polícia Legislativa, Lopes teria procurado o gabinete de Alfredo Gaspar para comunicar que tinha conhecimento de uma possível trama contra o parlamentar. Gaspar, posteriormente, acionou a Polícia Legislativa para registrar o relato.
De acordo com o depoimento, uma mulher chamada Marcela Maria Mendes, que prestava serviços no estabelecimento de Lopes, teria sido recrutada para participar da suposta encenação.
Ela teria sido orientada a se apresentar publicamente usando o nome fictício “Jailma” e contar uma história segundo a qual teria sido vítima de violência sexual quando adolescente por um político. A narrativa incluiria ainda uma suposta filha chamada “Eloá”.
💰 O ponto que chamou atenção: pagamentos
Um dos elementos mais relevantes do depoimento é a alegação de que dinheiro teria sido pago para sustentar a história.
Lopes afirmou à Polícia Legislativa que sua conta bancária teria sido utilizada para receber valores destinados à mulher.
Ele mencionou três pagamentos:
- R$ 4 mil
- R$ 10 mil
- R$ 2,5 mil
O comerciante apresentou comprovantes referentes aos pagamentos de R$ 10 mil e R$ 2,5 mil. Somados, os valores chegam a R$ 16,5 mil.
Segundo o depoimento, a utilização de contas de terceiros teria como objetivo evitar que os supostos responsáveis aparecessem diretamente nas movimentações financeiras.
🧩 Qual seria o objetivo da suposta armação?
O relato apresentado à Polícia Legislativa descreve uma estratégia que iria além da simples divulgação de uma acusação.
Segundo Lopes, a mulher seria apresentada como uma suposta vítima e, posteriormente, desapareceria.
A intenção, conforme descrita no documento, seria criar uma segunda acusação: a de que Alfredo Gaspar teria ordenado o desaparecimento da suposta vítima para tentar encobrir o crime.
Essa versão consta no boletim elaborado pela Polícia Legislativa, mas não significa que a trama tenha sido comprovadamente planejada ou executada. Trata-se da narrativa apresentada pelo comerciante e que agora precisa ser confrontada com outras provas.
⚠️ E onde entra Lindbergh Farias?
É justamente nesse ponto que o caso ganha uma dimensão política.
Segundo o depoimento, Marcela teria participado de uma reunião virtual por meio do Google Meet na qual, segundo Lopes, estaria presente o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), além de outras pessoas.
O comerciante afirmou que, na percepção dele, Lindbergh parecia ter conhecimento do conteúdo discutido.
Entretanto, essa afirmação não constitui prova de participação do deputado na suposta trama.
O próprio relatório deixa claro que se trata da percepção e do relato do depoente.
🗣️ Lindbergh nega tudo
Procurado pelo Metrópoles, Lindbergh Farias negou categoricamente as acusações.
O deputado afirmou que não conhece os envolvidos, que não participou de reuniões para tratar da denúncia e classificou o depoimento como uma tentativa de criar uma nova suspeita contra Gaspar.
Lindbergh também questionou por que o comerciante teria prestado o depoimento e pediu que a Polícia Federal investigue a origem das informações.
Portanto, neste momento existem duas versões completamente diferentes: de um lado, o depoimento de Lopes; de outro, a negativa de Lindbergh.
🏛️ Como o caso chegou ao Supremo?
A Polícia Legislativa encaminhou o material para a Corregedoria da Câmara depois que o depoimento passou a mencionar Lindbergh Farias.
Como o deputado possui foro por prerrogativa de função, o material acabou sendo encaminhado ao STF.
A documentação chegou à Corte em 5 de maio de 2026, por meio da Advocacia da Câmara. O caso está relacionado à investigação envolvendo a acusação feita anteriormente contra Alfredo Gaspar.
O ministro Gilmar Mendes é o relator do caso no Supremo. Segundo o Metrópoles, a Procuradoria-Geral da República havia pedido novas diligências, e a Polícia Federal recebeu o pedido para realizar apurações.
📌 Como começou a acusação contra Alfredo Gaspar?
Antes de ser escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar era relator da CPMI do INSS.
Em 27 de março, Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke apresentaram uma notícia de fato contra Gaspar, com acusações relacionadas a um suposto caso de estupro de vulnerável.
Gaspar negou as acusações e afirmou que elas eram falsas. Ele também acionou o STF, a Polícia Federal e a PGR contra os parlamentares.
A Polícia Federal chegou posteriormente a pedir autorização ao STF para investigar a acusação contra Gaspar. O caso ficou sob relatoria de Gilmar Mendes.
Agora, o depoimento do comerciante introduz uma nova linha de investigação: a possibilidade de que a acusação contra Gaspar tenha sido construída artificialmente.
🗳️ Por que o caso ganhou ainda mais peso agora?
A repercussão aumentou depois que Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como seu candidato a vice-presidente.
Com isso, uma acusação antiga que já envolvia o relator da CPMI do INSS voltou ao centro da disputa eleitoral.
Agora, o surgimento de um depoimento que fala em uma possível armação acrescenta uma nova camada ao episódio.
O caso deixa de ser apenas uma disputa de versões sobre uma acusação de estupro e passa a envolver também uma questão que terá de ser respondida pelas autoridades:
Houve realmente uma tentativa de fabricar uma acusação contra o candidato a vice?
E, se houve:
Quem teria financiado e organizado essa suposta operação?
Até o momento, essas perguntas permanecem sem resposta definitiva.
⚖️ O que já é fato e o que ainda precisa ser comprovado?
✅ O que está documentado
- Alfredo Gaspar foi acusado publicamente de estupro de vulnerável em março.
- Ele negou as acusações.
- O deputado acionou as autoridades para investigar o caso.
- Um comerciante prestou depoimento à Polícia Legislativa em abril.
- O depoimento menciona uma suposta identidade falsa e pagamentos.
- O documento foi encaminhado ao STF.
- Lindbergh Farias é citado no relato e nega participação.
- A Polícia Federal e o STF estão envolvidos na apuração.
❓ O que ainda precisa ser comprovado
- Se os pagamentos realmente tinham relação com uma suposta armação.
- Quem teria realizado os pagamentos.
- Quem teria recrutado a mulher mencionada no depoimento.
- Se houve realmente uma reunião com Lindbergh.
- Se o deputado tinha conhecimento do conteúdo discutido.
- Se existiu uma tentativa deliberada de fabricar uma acusação contra Gaspar.
- Quem estaria por trás de eventual organização.
🔥 Uma disputa política que pode chegar às eleições
O episódio acontece em um momento de forte polarização política e poucos meses antes das eleições presidenciais.
Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua candidatura ao Planalto, enquanto a escolha de Alfredo Gaspar para vice colocou o deputado no centro da campanha.
Ao mesmo tempo, Lindbergh Farias é um dos parlamentares mais próximos do governo Lula e também está diretamente envolvido no episódio.
Por isso, qualquer conclusão das investigações poderá ter repercussão política significativa.
Mas é justamente nesse ponto que a cautela jornalística se torna fundamental.
Um depoimento não é uma sentença. Uma acusação não é uma condenação. E uma suspeita de armação também precisa ser investigada e comprovada.
📰 Conclusão
O depoimento do comerciante Luis Antonio Lopes acrescentou uma nova e explosiva versão ao caso envolvendo Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
Segundo o relato prestado à Polícia Legislativa, uma mulher teria sido recrutada para assumir uma identidade falsa e sustentar uma acusação de abuso sexual contra o deputado. O comerciante também afirmou que sua conta foi usada para receber valores que, segundo ele, seriam destinados à suposta encenação.
Lindbergh Farias, por sua vez, nega todas as acusações e afirma que o depoimento é inventado.
Agora, o principal desafio está nas mãos das autoridades: descobrir se o relato corresponde aos fatos, se houve pagamentos e, principalmente, se existiu uma tentativa organizada de fabricar uma acusação com finalidade política.
Até que as investigações produzam provas conclusivas, nenhuma das versões deve ser tratada como fato comprovado.
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