A discussão sobre as contas das empresas estatais voltou ao centro do debate fiscal com a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. O texto considera uma previsão de déficit de aproximadamente R$ 7,5 bilhões para as empresas estatais abrangidas pelo cálculo fiscal.
A proposta também prevê a possibilidade de desconsiderar determinados investimentos e despesas, dentro de um limite estabelecido, no cálculo do resultado primário. A medida tem como objetivo permitir que projetos e investimentos considerados estratégicos sejam realizados sem que todo o impacto seja contabilizado da mesma forma na meta fiscal.
💰 O que muda na prática?
O mecanismo não significa que as despesas deixam de existir ou que o dinheiro deixa de ser gasto. A questão é como determinados valores serão contabilizados para fins de cumprimento da meta fiscal.

A proposta prevê um limite de até R$ 10 bilhões para essas exclusões, enquanto a estimativa de déficit das estatais chega a R$ 7,5 bilhões.
O tema, entretanto, provoca debate entre especialistas e parlamentares. Críticos argumentam que a flexibilização pode reduzir a transparência sobre a situação fiscal das empresas públicas. Já o governo defende a possibilidade de realizar investimentos e manter projetos considerados importantes sem que esses gastos comprometam integralmente o resultado primário.
📊 Por que o assunto é importante?
O resultado primário é um dos principais indicadores utilizados para avaliar as contas públicas. Ele considera receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.
Por isso, qualquer mudança na metodologia de cálculo pode provocar discussões sobre transparência, controle dos gastos e cumprimento das metas fiscais.
É importante destacar que a exclusão de determinados valores do cálculo da meta não significa que o gasto desapareça do orçamento. A despesa continua existindo e precisa ser financiada.
🏛️ Proposta ainda está em discussão
Outro ponto importante é que a LDO é uma peça de planejamento e passa pelo processo legislativo. Portanto, o texto apresentado pode sofrer alterações durante sua tramitação no Congresso Nacional.
Assim, não é correto afirmar antecipadamente que o governo simplesmente “escondeu” um prejuízo ou que todo o valor será necessariamente transferido aos contribuintes. O impacto dependerá da forma como a regra for aprovada e posteriormente executada.
🔎 O que está em jogo?
O debate envolve duas questões principais: responsabilidade fiscal e capacidade de investimento das empresas estatais.
De um lado, existe a preocupação com o aumento dos déficits e com a necessidade de melhorar a eficiência das empresas públicas. Do outro, o governo argumenta que determinadas despesas e investimentos podem ser importantes para a execução de políticas públicas e para a economia.
A discussão deverá ganhar força durante a tramitação da LDO 2027, especialmente entre parlamentares que defendem maior controle das contas públicas.
Conclusão
A proposta não elimina os gastos das estatais, mas estabelece uma forma específica de tratá-los no cálculo da meta fiscal. Por isso, o debate não deve ser resumido apenas à ideia de “maquiar” ou “esconder” o déficit.
O ponto central é entender quais despesas poderão ser excluídas, qual será o limite aprovado e quais serão os efeitos sobre o resultado fiscal do país.
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