Covid-19 no Brasil: A pandemia não acabou — o silêncio da mídia, os números reais e o cuidado contínuo que precisamos manter
Embora o Brasil já tenha passado pelos piores momentos da crise do COVID‑19 em termos de picos de mortes e caos sanitário, a doença não está erradicada. Mesmo com a notícia de que os grandes picos ficaram para trás, ainda há impactos, óbitos e riscos que merecem atenção — e, infelizmente, em muitos momentos, cobertura jornalística bastante reduzida.
1. Situação atual no Brasil
Estudos publicados apontam que entre 38,7 milhões de casos confirmados e mais de 712 mil mortes foram registradas no país até abril de 2024. BioMed Central+2Statista+2
Fontes como o CEIC indicam que o total acumulado já ultrapassava 716 mil mortes em abril de 2025. CEIC Data

Atualmente, os números de mortes diárias são muito menores do que nos piores momentos da pandemia, o que levou à impressão de “fim da crise” por parte de muitos veículos.
No entanto, a letalidade permanece mais elevada para grupos vulneráveis (idosos, pessoas com comorbidades) e em regiões onde a cobertura vacinal ou assistência médica são mais frágeis.
2. Por que o silêncio da mídia?
- Com a queda das grandes ondas e o declínio expressivo de internações em UTI, a Covid-19 deixou de ter o destaque contínuo que tinha em 2020-2022.
- A atenção jornalística migrou para outros temas emergentes: novas doenças, crise econômica, mudanças climáticas, política. Assim, a cobertura sobre a Covid passou a ser “menos urgente” no imaginário coletivo.
- Essa diminuição de foco pode gerar uma falsa percepção de segurança, levando parte da população a baixar a guarda quanto às proteções básicas (vacinação, uso de máscaras em ambientes de risco, ventilação de ambientes fechados).
- Especialistas apontam que, embora não se trate mais de uma emergência sanitária global em muitos países, os riscos continuam reais, especialmente se novas variantes surgirem ou se houver falhas no sistema de saúde regional. BioMed Central+1
3. Os desafios persistentes
- A imunização desigual: algumas regiões, estados ou municípios ainda têm taxas de vacinados menores, o que amplia o risco de surtos localizados.
- A atenção pós-pandemia: tratamentos para sequelas da Covid, acompanhamento de pacientes de longa duração (“long Covid”) e reforço da saúde pública continuam sendo urgentes.
- A vigilância de variantes: o vírus SARS-CoV-2 continua circulando e mutações podem representar novos desafios — o que exige monitoramento, testes e prontidão.
- A atenção social e econômica: muitos profissionais da saúde, famílias e comunidades que foram fortemente afetadas pela Covid ainda lidam com consequências (financeiras, emocionais, físicas) daquilo que parecia “uma fase que já passou”.
4. O que podemos (e devemos) fazer agora
- Manter a vacinação em dia: incluir doses de reforço se for indicado, principalmente para idosos e pessoas vulneráveis.
- Usar proteção em ambientes de risco: locais fechados, com grande aglomeração ou ventilação precária ainda podem ser cenários de transmissão.
- Investir em informação qualificada: acompanhar boletins das secretarias de saúde, não se basear apenas em manchetes que sugerem “acabou”.
- Cobrar transparência e dados atualizados: a queda na cobertura jornalística não significa que os dados deixaram de ser relevantes. É importante que imprensa e sociedade continuem atentos e exijam relatórios consistentes e regionais.
- Apoiar políticas públicas de saúde pós pandemia: acompanhamento dos sobreviventes de Covid, fortalecimento do SUS, fortalecimento da atenção primária, pesquisa sobre variantes e suporte psicológico para quem sofreu traumas.
5. Conclusão
A Covid-19 já deixou marcas profundas no Brasil — mais de 700 mil vidas perdidas, milhões de casos e impactos ainda visíveis. Embora a “fase aguda” da pandemia tenha sido superada, o vírus permanece e exige vigilância. O fato de muitos meios de comunicação terem reduzido o foco não significa que o problema acabou. Pelo contrário: significa que entra em uma nova fase — de manutenção, prevenção e responsabilidade. A sociedade que se descuidar agora corre o risco de ver medidas importantes serem perdidas e prejuízos serem deixados de lado.