Decepção do público com o retorno da novela “Vale Tudo”: quem matou Odete Roitman já não empolga como antes
Reexibição clássica que virou polêmica nas redes
A Globo apostou alto ao reprisar o clássico “Vale Tudo”, uma das novelas mais icônicas da teledramaturgia brasileira, famosa pela pergunta que parou o país em 1989: “Quem matou Odete Roitman?”. No entanto, a nova exibição, que prometia reviver a nostalgia da era de ouro das novelas, acabou gerando frustração e críticas de parte do público.
Nas redes sociais, muitos telespectadores afirmam que a história “envelheceu mal” e que o suspense que marcou época não tem o mesmo impacto nos dias de hoje.
Reação do público: entre a nostalgia e a decepção
Desde o primeiro capítulo da reexibição, o nome de Odete Roitman (interpretada por Beatriz Segall) voltou a figurar entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter). Porém, o tom das postagens variou entre saudosismo e desapontamento.
Enquanto alguns fãs comemoraram rever Fátima (Glória Pires), Raquel (Regina Duarte) e outros personagens clássicos, uma parte considerável do público criticou o ritmo da trama e a “linguagem de outra época”.
Comentários como “a novela é boa, mas muito parada para o público de hoje” e “a morte da Odete não tem mais o mesmo mistério” foram recorrentes.

O espectador mais jovem, acostumado a produções ágeis e tramas de impacto imediato, parece ter se distanciado da narrativa lenta e densa que caracterizou os folhetins dos anos 80.
Críticas também à escolha do horário
Outro ponto que gerou descontentamento foi o horário de exibição. Muitos telespectadores consideram que a novela poderia ter sido relançada em um horário de maior audiência ou em formato de série especial.
Segundo comentários nas redes, a Globo “poderia ter aproveitado melhor o relançamento”, investindo em remasterização mais profunda ou até em uma minissérie inspirada na trama original.
O peso da expectativa: quando o clássico encontra o tempo
“Vale Tudo” marcou época por discutir temas como corrupção, ética e desigualdade social — tópicos que continuam atuais. No entanto, o público moderno esperava mais ritmo, dinamismo e atualização.
A geração que viveu o mistério de Odete Roitman pela primeira vez lembra da comoção nacional que tomou conta das ruas e das apostas sobre o assassino. Já a geração atual, acostumada a spoilers e redes sociais, não sentiu a mesma emoção.
A crítica televisiva Marina Rios, do portal especializado Tela e Roteiro, resume bem o fenômeno:
“Rever ‘Vale Tudo’ é rever uma parte da história da televisão, mas também perceber como o público mudou. O que antes era suspense, hoje pode parecer previsível.”
Os méritos continuam
Apesar das críticas, “Vale Tudo” segue sendo uma obra de valor histórico e artístico incontestável. A atuação de Beatriz Segall como Odete Roitman continua impressionando o público, e muitos internautas reconheceram a força de personagens e diálogos que permanecem relevantes.
A icônica frase “Vale a pena ser honesto neste país?” voltou a ecoar nas redes, reacendendo debates sobre ética e poder. Mesmo com a decepção inicial, há quem diga que o público pode se reconectar à trama com o passar dos capítulos.
Conclusão: o clássico ainda vive, mas o tempo mudou
O retorno de “Vale Tudo” mostra que nem todo sucesso do passado é garantia de impacto no presente. A novela que marcou gerações ainda emociona, mas precisa competir com um público mais acelerado e acostumado à linguagem digital.
Entre nostalgia e frustração, o mistério de Odete Roitman continua vivo — ainda que, desta vez, o público pareça menos empolgado em descobrir o assassino.