Luiz Inácio Lula da Silva afirma que “2026 é ano sagrado” e reconhece falha da esquerda em dialogar com evangélicos
Brasília – DF, 17 de outubro de 2025
Em um discurso proferido na noite de quinta-feira (16), durante o 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o presidente da República Lula fez declarações que chamaram atenção na esfera política: por um lado, declarou que “2026 é um ano sagrado” para o Brasil; por outro, admitiu que a esquerda brasileira vem falhando no diálogo com o segmento evangélico, que ele considera essencial. Acessa.com+2InfoMoney+2
O discurso e os principais trechos
Em seu pronunciamento no centro de convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, Lula afirmou que “evangélico não é contra nós; nós é que não sabemos falar com eles. O erro está na gente, não está neles.” Jornal de Brasília+1 Ele reiterou que “2026 é um ano sagrado. Nós temos que fazer as coisas diferentes… Nós nos distanciamos do povo.” Página 3 BC+1

O presidente fez também críticas à forma de comunicação da esquerda: “Nossa linguagem e nosso discurso estão muito distantes do nível de compreensão de milhões de pessoas que gostariam de nos escutar. … O nosso desafio é convencer os outros, que ainda não são nossos, a vir com a gente.” Jornal de Brasília+1
Adicionalmente, ele enfatizou que o discurso de esquerda frequentemente se concentra em ativistas ou grupos organizados, deixando de atingir “milhões de pessoas que não são organizadas e muitas vezes até gostariam de participar, mas nem são convidadas.” OJORNALISMO
O contexto político e religioso
O segmento evangélico no Brasil tem grande importância eleitoral, sendo considerado majoritariamente conservador e historicamente alinhado com partidos ou grupos à sua direita. O reconhecimento de Lula de que existe uma “desconexão” entre a esquerda e esse segmento religioso ganha relevância justamente por esse cenário. Gazeta do Povo+1
Antes do congresso, Lula recebeu representantes da Assembleia de Deus Ministério de Madureira no Palácio do Planalto, entre eles o deputado federal Cezinha da Madureira (PSD-SP) e o advogado-geral da União Jorge Messias, evangélico cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Jornal de Brasília+1
Essa interlocução demonstra um esforço do governo de aproximar-se desse segmento, mas o próprio discurso de Lula admite que o relacionamento ainda está aquém das necessidades políticas da coalizão que representa.
Análise do significado e desdobramentos
Motivação
- Ao chamar 2026 de “ano sagrado”, Lula sinaliza que vê o próximo ciclo eleitoral como crucial — ele tem reiterado sua intenção de disputar a reeleição e busca mobilizar aliados e bases para esse pleito. Página 3 BC+1
- O reconhecimento de falha de diálogo com evangélicos sugere uma mudança de estratégia: a esquerda — historicamente vista como menos alinhada às pautas religiosas conservadoras — tenta repensar sua comunicação e alianças.
Riscos e desafios
- Conversar com os evangélicos não significa necessariamente virar conservador ou abandonar pautas progressistas, mas exige adaptação de linguagem e escuta ativa, o que pode gerar tensão interna à esquerda, entre militantes e setores que veem aproximação com religiosos conservadores como risco para identidade.
- A desconexão atual também aponta para vulnerabilidade eleitoral: se a esquerda não conseguir mais efetivamente dialogar com o segmento evangélico, abre-se espaço para que a direita ou extrema-direita ampliem influência.
- Além disso, o discurso de “ano sagrado” pode ser visto por opositores como simbólico demais, carecendo de conteúdo concreto sobre políticas, deixando margem para críticas de discurso vazio.
O que está em cheque
- A eficácia da estratégia de comunicação e mobilização da esquerda para setores que historicamente não compõem sua base principal, como evangélicos não militantes.
- A reconstrução de uma frente ampla, como sugerido por Lula, que inclua diferentes camadas da sociedade, além do núcleo ativista tradicional.
- O impacto desse reposicionamento nos rumos das alianças partidárias e na construção de candidaturas para 2026.
A quem interessa
- Para o governo e o PT, o aceno ao segmento evangélico representa tentativa de ampliar base eleitoral e reduzir rejeição.
- Para a bancada evangélica e partidos aliados, é um sinal de que são considerados pelo Planalto, o que pode gerar articulações em torno de indicações, ministérios ou pautas.
- Para a oposição, especialmente grupos que se posicionam no espectro de direita ou extrema-direita, a fala de Lula significa reconhecimento de vulnerabilidade — e pode servir como alerta para explorar esse fosso entre esquerda e evangélicos.
Conclusão
As declarações de Lula foram mais do que retórica: representam um ponto de inflexão na comunicação da esquerda brasileira. Ao declarar 2026 como “ano sagrado” e admitir que a esquerda “não sabe falar” com evangélicos, ele lança à militância um recado claro de mudança de tom, de público-alvo e de linguagem. O sucesso dessa estratégia dependerá de sua capacidade em transformar esse reconhecimento em diálogo real, políticas concretas e mobilização ampliada — sob o risco de ver sua coalizão se manter restrita ao núcleo tradicional e perder espaço para adversários que saibam melhor conectar-se com os evangélicos.